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segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

PNLL: Textos e História

CBL Informa, 03/02/2011

Lançado em dezembro de 2010 [+], o livro PNLL: Textos e História traz documentos, artigos e realizações do Plano Nacional do Livro e Leitura. Com uma visão sobre o que foi, o que é e o que representa o PNLL para o futuro do país, ele traz ainda artigos de 24 especialistas no assunto livro. Para ler a íntegra ou fazer o [download].



Política do livro é unificada sob a Fundação Biblioteca Nacional
PublishNews, 07/02/2011

No último dia 21 de janeiro, foi anunciado o nome do novo presidente da Fundação Biblioteca Nacional (FBN), o jornalista ribeiropretano Galeno Amorim. O que passou despercebido foi uma mudança importante dentro da coordenação da política do livro e leitura exercida pelo Ministério da Cultura (MinC), que veio junto com o novo nome na presidência da fundação do Rio de Janeiro. Antes, parte da política do livro e leitura do país era articulada pela Diretoria de Livro, Leitura e Literatura (DLLL), vinculada à Secretaria de Articulação Institucional (SAI) do MinC, e outra parte pela própria FBN. Agora, ao aceitar o novo cargo, Galeno conseguiu colocar a DLLL sob o guarda-chuva da FBN, simplificando e unificando assim a coordenação da política do livro e leitura no Brasil. Outra novidade é que José Castilho Marques Neto, atual secretário-executivo do Plano Nacional do Livro e Leitura (PNLL), que anunciara em novembro sua saída, deve permanecer no cargo por pelo menos mais seis meses. Fabiano dos Santos também continua na direção de Livros, Leitura e Literatura, ainda que dentro da FBN. Vale lembrar que o PNLL é resultado de uma portaria interministerial entre o MinC e o Ministério da Educação (MEC), que indicam o conselho diretivo, o comitê executivo e o secretário-executivo do plano. Mas agora a interação com o Minc ficará mais simplificada.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Leitura em Revista on.line



Leonardo Pinto de Almeida, da Universidade Federal Fluminense, informa que já está [on.line] o número 1 da Revista LER, publicação semestral eletrônica de estudos avançados em leitura, produzida pela Cátedra UNESCO de Leitura/PUC-Rio. Seu objetivo é divulgar textos originais sobre o eixo temático da leitura que privilegiem pesquisas de natureza predominantemente qualitativas, a fim de contribuir para o desenvolvimento de estudos sobre leitura numa perspectiva crítica, transformadora e interdisciplinar.

Aproveitamos a ocasião para divulgar que está aberto o período de submissão de artigos para o n. 2 da LER, cujo prazo encerra-se no dia 31 de janeiro de 2011.

Visite [www.leituraemrevista.com.br].

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Alegria misturada com angústia

Histórias de família inspiram a vencedora do Prêmio Barco a Vapor 2010
Pluricom Informa, 20/10/2010


Nenenzinha é ainda uma pequena menina e já é tia de quatro crianças órfãs, maltratadas pela madrasta Delminda. Mas Nenenzinha tem um segredo: o segredo de família que a ajudará a amenizar o sofrimento de seus sobrinhos. Esse é o ponto de partida para o texto de ficção A menina guardiã dos segredos de família, vencedor do 6º. Prêmio Barco a Vapor. De estrutura contemporânea, não linear, a obra criada pela escritora mineira Stella Maris Rezende é rica em recursos de linguagem.

Stella, que adora se encontrar com seus leitores em escolas e debates, conta na entrevista a seguir que essa história é inspirada nas aventuras e nos desafios que sua mãe enfrentou na infância. A história A menina guardiã dos segredos de família foi selecionada entre mais de 500 originais como vencedora do 6º Prêmio Barco a Vapor e será publicada por Edições SM. As inscrições para a sétima edição do prêmio estão abertas até o dia 30 de dezembro – o regulamento pode ser encontrado no site www.edicoessm.com.br.

Quem inspirou A menina guardiã dos segredos de família?
A inspiração veio da história da minha mãe, que ficou órfã de mãe bem cedo, foi abandonada pelo pai sanfoneiro e acabou sendo criada pelos tios, que eram primos e casados. Nenenzinha, personagem principal do texto, foi inspirada na Nenenzinha que existiu de fato, a tia da minha mãe, que era ainda uma menina quando resolveu ajudar na criação dos sobrinhos: minha mãe e seus três irmãos. Vários outros detalhes do texto aconteceram realmente, como a inundação da cidade de Morada Nova, em Minas Gerais, na década de 1960. As águas da represa de Três Marias invadiram a cidade e quase a destruíram completamente. Muita gente perdeu casa, plantação e gado. Ou seja, a maior parte dos fatos aconteceu mesmo, e foi emocionante transformar tudo em literatura.

Como surgiu a ideia de escrever o texto?
Não programei escrever esse texto. Aos poucos, ele veio chegando, veio se afirmando, querendo tomar forma literária. Trabalhei nele durante uns quatro anos.

Sua história aborda temas como orfandade, exploração do trabalho infantil dentro de casa, vaidade (da madrasta), entre outros. Qual a importância de falar sobre tais assuntos?
Esses assuntos fazem parte da história da minha mãe e dos meus tios, que sofreram muito quando crianças. Naquela época e ainda hoje, em muitas famílias brasileiras, as crianças são obrigadas a trabalhar duramente. A madrasta também existiu, e era mesmo rigorosa, exigente ao extremo. O padrasto também existiu e era padeiro de fato. Eu apenas acrescentei mistérios e segredos, trabalhei a história por meio de uma linguagem poética, soltei a imaginação e me deixei levar pela magia das palavras. A importância de falar sobre esses assuntos está na necessidade de se denunciar as injustiças, com o sonho de que as coisas mudem e as pessoas aprendam a viver com dignidade e respeito pelos direitos humanos.

Quais os paralelos com os contos de fadas tradicionais, como a Cinderela?
Desde criança, eu sempre pensei que a história da minha mãe se parecia com os contos de fadas. Obrigada a trabalhar para a madrasta, a minha mãe era linda, vestia-se com simplicidade e sonhava com um príncipe encantado. Vários detalhes da história da Cinderela não aparecem na história da minha mãe, é claro. Mas a essência é a mesma. A fada que aparece para a Cinderela é a tia Nenenzinha, a tia menina que salva a minha mãe da tristeza e do desejo de vingança. Alguns detalhes do meu texto lembram ainda os contos João e Maria, Branca de Neve e A bela adormecida no bosque. A ideia de que a criança pode ser salva por um encantamento é um elemento muito forte.

O que há de mais gratificante em escrever para crianças?
Escrever é sempre uma grande alegria misturada com muita angústia, mas escrever para crianças e jovens é mais instigante, mais difícil e mais desafiador. Quando vejo que um texto meu está se encaminhando para o público infantojuvenil – o mais exigente e o mais sincero –, me sinto mais solta, mais leve, mais contente, mais livre. Deixo-me levar pela imaginação e fico firme no meu projeto estético, ou seja, não abro mão da qualidade literária. Depois do livro editado e lido, o contato com crianças e jovens é sempre maravilhoso, por meio de cartas, e-mails ou encontros em escolas. Crianças e jovens fazem perguntas inteligentes, não têm medo de conversar sobre quaisquer assuntos; são sensíveis, francos e amorosos.

Há algum cuidado que deva ser tomado ao se escrever para o público infantil?
É preciso ter o cuidado de sempre quando se trata de literatura: trabalhar a linguagem, exigir qualidade literária, lidar com metáforas, imagens, elipses, deixar que as palavras e os silêncios suscitem diferentes leituras.

Como você acredita que a leitura possa ser estimulada entre crianças e jovens?
Por meio do encantamento. Ao ouvir histórias contadas com arte, crianças e jovens são levados a um estado de encantamento que atiça o sonho, a imaginação e o desejo de transformar o mundo num lugar melhor. Uma história bem contada tem magia, tem poder de reinvenção do mundo, estimula o questionamento e a alegria de viver.

Há quanto tempo você desenvolveu o gosto pela leitura e pela escrita?
Desde pequenininha, quando ouvia minha mãe contar histórias e casos. Depois, ao entrar na escola, tive professores maravilhosos, que liam e contavam histórias, recitavam poemas, me levavam à biblioteca, enchiam a minha vida de alegrias e sonhos.

Que livros marcaram sua infância e adolescência?
Alice no país das maravilhas, de Lewis Carroll; Reinações de Narizinho, de Monteiro Lobato; a narrativa tradicional e todos os contos de fadas; Clarissa e Música ao longe, de Érico Veríssimo; Vidas secas, de Graciliano Ramos.

Que autores a influenciam? Por quê?
Machado de Assis, Cecília Meireles, Clarice Lispector, João Guimarães Rosa. Pelo trabalho com a linguagem, pelo projeto estético, pelo desejo de desvendar a alma humana.

Por que optou por se dedicar à literatura infantil?
Não foi uma opção consciente e objetiva. A literatura infantojuvenil foi uma descoberta, um chamado, um encantamento que me arrebatou.

Quais foram os desafios em sua carreira?
Vários, evidentemente. O mais importante deles se fundamenta na minha maneira de escrever, no meu projeto estético. Alguns críticos dizem que não escrevo para crianças, porque meus textos são complexos e muito trabalhados. Eu continuo dizendo que escrever para crianças e jovens não significa abrir mão da arte literária. Crianças e jovens são sensíveis e inteligentes, adoram um texto bem escrito, instigante, carregado de significados, mistérios, segredos e dramas humanos.

Quais os temas mais presentes em suas obras? Por quê?
O mistério da existência humana, os conflitos familiares, as injustiças sociais, o ódio, o amor, a vingança, a inveja, a mesquinhez, a amizade; porque são temas universais.

Já ganhou outros prêmios antes do Barco a Vapor? Pode falar um pouco do impacto que os prêmios tiveram em sua carreira ou sua obra?
Ganhei por três vezes (1986, 2001 e 2008) o Prêmio João-de-Barro, que é o mais tradicional em literatura infantil e juvenil brasileira. Em 1988, o Bienal Nestlé, categoria infantojuvenil. Em 2002, o Redescoberta da Literatura Brasileira/Revista Cult, categoria conto. Em 2007, o Literatura Para Todos/MEC/OEI, categoria conto. Grande parte dos meus livros recebeu o selo de “Altamente Recomendável para Jovens” da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil, e vários foram selecionados para os programas de leitura do governo, como o Programa Nacional Biblioteca na Escola/MEC. Três foram indicados ao Jabuti. Todos esses prêmios me tiram do sufoco financeiro e me incentivam a continuar o meu trabalho, o meu sonho, o meu projeto estético.

Por que decidiu concorrer ao Prêmio Barco a Vapor da Fundação SM?
Sonhei em ganhar o Prêmio Barco a Vapor desde que ele chegou ao Brasil em 2005. Trabalhei duro. Participei do concurso por três vezes. Só na terceira vez consegui ganhar. Trata-se de um prêmio em nível internacional, de nome poético, de conteúdo sério e bonito, promovido pela Fundação SM, que prioriza a leitura de textos de alta qualidade literária em livros com um belo projeto visual, que encantam e conquistam o leitor.

Qual o significado do Prêmio Barco a Vapor para você?
É uma resposta positiva ao meu trabalho com a linguagem. Uma alegria em descobrir que vale a pena sonhar e não abrir mão do meu projeto estético.

Se pudesse criar uma definição pessoal para a literatura, qual seria?
A literatura é como a vida, misteriosa e instigante.

domingo, 18 de julho de 2010

Coleção transforma obras clássicas em tristes arremedos literários

O Globo, 03/07/2010 - por Wilson Alves-Bezerra *

Há um divertido conto do húngaro Dezsö Kosztolányi (1885-1936) que conta a história de um cleptomaníaco que se torna tradutor. Ao traduzir o primeiro romance para o húngaro, ele compulsivamente subtrai lustres, joias, janelas e outros objetos de valor da obra original. Perfeito seria o crime se o leitor, supostamente não proficiente na língua do autor, de fato não pudesse ir ao original e comprovar o que lhe foi furtado.

Tal conto nos traz alguns elementos para pensar sobre a coleção É só o começo, da L&PM. Com nove títulos publicados, de autores como Shakespeare, Cervantes, e os brasileiros Machado de Assis, Lima Barreto, Aluísio de Azevedo, entre outros, ela oferece edições com “linguagem adaptada para um público específico”, o que ela chama de “neoleitores”. O alvo são estudantes até a oitava série. O pressuposto é que o “neoleitor” não teria condições de ler os originais e que é preciso “facilitar a leitura”.

Há algo inquietante na facilitação vir justamente no momento em que os leitores estão em formação. A regulação da iniciação literária dos jovens proposta pela coleção parece desconsiderar a possibilidade da paixão literária, o arrebatamento de um primeiro amor juvenil, que poderia advir do contato com um grosso volume de uma biblioteca alheia — seja ela a da escola, da família, ou de um sebo. A brevidade e a simplicidade das versões adaptadas parece postergar para um momento incerto o contato efetivo com a literatura, como se primeiro fosse preciso “aprender a aprender a ler”, para só depois ler de fato. É a impressão que causa a edição infestada de notas de vocabulário , geografia, história, indicações de sites e filmes; com isso, o literário fica em segundo plano e o livro se torna fonte de informações enciclopédicas.

Desconsiderando a hipótese da paixão pela literatura, a coleção rege-se antes pelo princípio de amor médico, higiênico de que mais prudente é contratar uma preceptora para as primeiras letras do jovem, para evitar que ele se depare com coisa pior pela rua (como o amor, o desejo). Num primeiro momento, seria de se comemorar uma edição pedagógica de Romeu e Julieta que permite que o jovem leitor tenha acesso ao dramaturgo inglês. Mas , olhando de perto, vê-se que da peça de Shakespeare o adaptador furtou o teatro e a poesia, o encanto da linguagem, a agilidade dos diálogos. Furtou-nos Shakespeare sem deixar dele rastro que pudesse seduzir o jovem leitor para aventuras futuras.

O paradoxo é que mesmo autores de escrita fina e cativante, simples em seu tempo, e em nosso, como Lima Barreto, têm que atravessar o moedor da adaptação, vendo empobrecerem-se sua ironia e humor. Além disso, o texto do mestre carioca é dotado na versão "neoleitoril" de um discuros pedagógicos, de todo inexistente no original. Assim, autores tão distintos como o que podem ser Shakespeare e Lima Barreto foram achatados a um estilo médio, de um vocabulário que não excede a duas mil palavras, condensados e livres de peculariedades de estilo e que, em quase nada, nos lembram o original. Por que é que uma coleção que diz apostar na iniciação literária deita fora o que há de mais importante na experiência da leitura: o confronto com uma linguagem que não se confunde com a do dia a dia, e oferece ao leitor um convite à descoberta?

Antonio Candido, num texto fundamental "A literatura e a formação do homem" (1972), lembra-nos das agruras dos jovens insones, noite adentro, sob o impacto das obras como as de Aluízio de Azevedo. E diz que a literatura forma o homem não no sentido rasteiro de uma pedagogia do bem-viver, mas no sentido alto de confirmar-lhe a humanidade, com suas agruras e contradições. Assim pedagogizada, as primjeiras experiências literárias ficam como que formatadas ao protocolo da leitura obrigatória, instrutiva e desinteressante. A coleção É só o Começo caiu na sedução popularesca da facilitação de acesso a alguns clássicos brasileiros e ocidentais, mas tornou-os um triste arremedo literário que subestima o jovem leitor.

* Wilson Alves Bezerra é professor de Departamento de Letras da UFSCar, tradutor e escritor.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

“Compre um livro, salve uma livraria”

PublishNews, 08/07/2010

O mercado editorial está agitado com o recente anúncio da Tin House, uma respeitada editora independente, que começa a receber originais não solicitados – coisa rara nos dias de hoje. Entretanto, tem uma pegadinha aí. Cada envio deve ser acompanhado de um recibo de livro. “Compre um livro, salve uma livraria” é o slogan.

No artigo publicado no The Huffington Post, Melanie Benjamin, pseudônimo da escritora Melanie Houser, diz que o que mais a agrada é a implicação de que se você quiser ser publicado, você precisa estar lendo, e esta é uma maneira não tão sutil de uma editora saber se um aspirante a autor está fazendo isso ou não. E ela continua: Eu amo quando autores me pedem conselhos. Mas a primeira coisa que faço é perguntar “Qual foi o último livro que você leu?” Você ficaria surpreso com a quantidade de olhares para o nada e coçadas na cabeça que eu recebo como resposta. Você ficaria supreso com a quantidade de gente que responde O sol é para todos ou O grande Gatsby, ou algo do gênero - que eles leram no último ano do colégio e que foi publicado há mais de 50 anos. Você ficaria surpreso, em outras palavras, como alguém que quer publicar um livro na realidade não leu nenhum... em muito tempo. Para continuar lendo (em inglês), [clique aqui].

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Buscando ilustrações e afetos...

Resumo do Cenário

Lígia Pin leu e recomenda o artigo "Buscar ilustrações e criar vínculo afetivo ajudam a formar crianças que gostam de ler", de Fabiana Rewald, publicado na Folha.com, dia 14 de junho de 2010, com depoimentos de Maria José Nóbrega, Ana Teberosky, Beatriz Cardoso, Regina Zilberman, Márcia David de Souza e nossa Angela-Lago, que diz: "Se você desenha bem, a imagem se torna uma mapa da leitura."

O que você acha?

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Primeiro e-book de Angela Lago

PublishNews, 17/05/2010

Enquanto Angela Lago participava do Café Filosófico com o conterrâneo Frei Betto na Bienal do Livro de Minas, na sexta-feira (14), seu primeiro e-book começava a ser vendido na Amazon por US$ 8. Nesta semana, a Livraria Cultura também terá o De morte!, obra lançada em papel em 2002, no seu catálogo. “Quisemos fazer uma experiência para conhecer melhor o terreno do e-book”, disse Joana Mello, advogada especializada em direitos autorais e que agora também presta assessoria em livros eletrônicos. Sobre lançar o e-book primeiro na Amazon, ela conta que foi meramente por questões burocráticas. Como esse negócio começou lá há mais tempo, tudo fica mais fácil.

De uma conversa entre a advogada e a escritora, surgiu a ideia da parceria. A editora RHJ também topou e Joana converteu o livro para e-Pub, o que não foi fácil devido ao formato que tem o livro infantil, às ilustrações e tudo o mais. “O meu desejo é que essas novas formas de livro democratizem a leitura”, disse a escritora.

A relação de Angela com a tecnologia vem de 1985, quando ela começou a usar o computador para desenhar. “O computador é o pincel do nosso tempo e a tecla undo é perfeita”. Ela conta que tem mais facilidade em desenhar dessa forma do que a mão e que assim se sente mais livre para errar. “A borracha é sempre uma revelação do que fizemos de errado e a tecla undo anula o nosso erro”, diz.

De acordo com Angela, usar a tecnologia a seu favor não desdiz o trabalho do artista e agora que essa primeira ideia de tranformar um de seus títulos em e-book deu certo ela quer mais: “Quero muito contar histórias animadas e interativas e estou estudando isso”.

O Google e os livros

Jornal do Brasil/JB Ideias, 17/05/2010 - por Antônio Campos


Depois do Orkut e do e-mail que nunca está cheio (o Gmail), um dos últimos projetos do Google é a ferramenta Google Book Search, inaugurada em novembro de 2005. Outro projeto é a venda de livros eletrônicos (e-books), através do Google Editions, que começa ainda este ano. Assim, o Google está fazendo a maior biblioteca e o maior negócio livreiro do mundo.

A maior companhia da Internet tem uma meta nada modesta nesse ramo: quer digitalizar praticamente todos os livros do planeta. Segundo dados do Online Computer Library Center (CLC), dos 55 milhões de títulos existentes no mundo, 10% representam o catálogo ativo das editoras; 15% caíram em domínio público e 75% – ou 40 milhões – são livros não mais comercializados, mas que ainda não estão em domínio público. O foco inicial do Google são esses dois últimos grupos. No fim de 2009, o total de exemplares convertidos em bits pela empresa já havia alcançado os 10 milhões. Os engenheiros da Google criaram um método específico de digitalização, em que mil páginas são escaneadas por hora. O Google Book investe em parcerias com bibliotecas no sentido de digitalizá-las.

Tal iniciativa gerou uma demanda judicial nos Estados Unidos que acabou em acordo e que está sujeito à aprovação do Tribunal Distrital dos Estados Unidos pelo Distrito Sul de Nova York (o texto integral do acordo pode ser lido em www.googlebooksettlement.com/agreement.html).

O modelo de negócio do Google tem gerado controvérsias relacionadas à infração de direitos autorais, questões de monopólio e privacidade. O historiador e estudioso dos livros Robert Darnton, autor da obra A questão dos livros, fala do papel das bibliotecas e a iniciativa de digitalização de livros do Google: “O Google tem feito um trabalho maravilhoso de digitalização do acervo dessas bibliotecas. Mas, como toda empresa privada, tem por objetivo dar lucro a seus acionistas. Os objetivos das bibliotecas são distintos – entre eles, oferecer conhecimento público. Esse conhecimento não pode ser detido por uma empresa só. O acordo sobre direitos autorais do Google configura uma situação de monopólio”.

Darnton também explicita a falta de critérios da digitalização realizada pelo Google, que não tem bibliógrafos no seu quadro funcional: “O Google emprega milhares de engenheiros, mas até onde sei, não tem nenhum bibliógrafo em sua equipe. Seu descaso com qualquer preocupação bibliográfica visível é particularmente lamentável, tendo em vista que a maioria dos textos, como acabo de argumentar, foram instáveis por boa parte da história da imprensa”.

O Google está criando um comunicador universal com o seu tradutor de línguas. Atualmente, traduz 52 línguas. E mais: no Google estão sendo armazenadas as biografias das pessoas no mundo contemporâneo. O livro “Google: o fim do mundo como o conhecemos” de Ken Auletta merece ser lido.

É de se preocupar que um empreendimento comercial detenha o controle de tanta informação. O Google já está sabendo mais a nosso respeito que a Receita Federal, por exemplo. Precisamos que a sociedade da informação na qual vivemos seja a mais democrática possível e que não seja monopólio de ninguém. Vamos cobrar do Google que siga fielmente seu lema formal “organizar a informação do mundo e torná-la universalmente acessível e útil” e o informal “não faça maldade”.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Novo Tigre na Rede



Tigre Albino número 8 está na rede. Onde? Em www.tigrealbino.com.br. Esta edição dedica-se principalmente à poesia na sala de aula. Em outras palavras, por que alguns professores têm medo de poesia? Não da que leem, mas das que ensinam. É um tema que fascina, se bem que esses professores sabem que esse medo às vezes desaparece, basta uma conversa, uma troca de experiências, no lugar e no tempo certos. É o que propomos nesta edição.

Maria Antonieta Cunha discute que tipo de poesia oferecer na sala: a poesia épica ou a lírica? Ela analisa também duas versões de um mesmo poema de Cecília Meireles, indicando caminhos e técnicas de análise. A seguir Ana Maria Machado mostra como se pode falar de uma maneira simples e profunda ao mesmo tempo. Já Gislaine Marins descreve um projeto italiano que achou um jeito especial de levar a poesia aos bebês, envolvendo professores e pediatras. A primeira secção do Tigre completa-se com Marisa Lajolo, que nos apresenta Ritinha, uma personagem atrevida criada por Pedro Bandeira.

Na segunda parte, a editora Elizabeth Serra convidou e Rosangela Sivelli aceitou falar sobre um caldeirão mágico que ela criou na Sala de Leitura de E. M. Barão Homem de Melo, em Vila Isabel, no Rio de Janeiro, onde fervilham muitos textos, especialmente poesias. Já o editor de Tigre Digital, Miguel Rettenmaier convidou Jandi Barbosa, que em seu artigo reflete sobre as possíveis relações que podem ser estabelecidas entre os blogs e as textualidades literárias. Annete Baldi entrevista o mineiro Leo Cunha, responsável por uma das mais importantes produções poéticas para crianças em todo o Brasil. E Sérgio Capparelli se pergunta sobre a possibilidade de Pablo Neruda frequentar uma sala de aula cheia de crianças e de jovens?

Gláucia de Souza tira de seu baú de memória Fardo de carinho, que Roseana Murray publicou em 1980, e Carteira de Identidade, de 2010, e aproveita para prestar uma homenagem à autora que está completando 30 anos de poesia para crianças. No fim, O Imperador Amarelo, de Heloisa Prieto, tentando saber por que a China está se fazendo presente na literatura para crianças brasileiras.

terça-feira, 6 de abril de 2010

Muito antes de ler os "clássicos"

PublishNews - 26/03/2010 - por Roney Cytrynowicz

Jornais de cultura e de literatura, sites de letras e de livrarias e colunas de escritores e de críticos estão repletos de listas indicando os clássicos da ficção e os livros mais importantes para ser um “bom” leitor. Estas listas são interessantes e úteis, mas também monótonas e repetitivas. Dificilmente abrem espaço para títulos fora do cânone da “boa literatura” e, portanto, pouco dizem sobre como de fato nos tornamos leitores na infância e na juventude. Nossa formação como leitores raramente começa pelos clássicos. Chegar a tais leituras exige um percurso que passa pelo prazer de ler e pelo trabalho de elaborar o que é literatura, qualquer que seja a sua acepção.

A seguir publico uma lista que está longe de ser uma relação dos “melhores” ou dos “mais recomendáveis” livros de ficção. E muitos menos dos “clássicos”. É apenas uma sincera lista dos livros que me tornaram leitor e que fizeram a minha cabeça dos 11 aos 17 (quando alguns dos clássicos me foram apresentados). É a lista dos livros que mais me emocionaram ou divertiram, dos livros em cuja companhia passei momentos intensos e pelos quais tenho até hoje profundo afeto – independentemente de qualquer avaliação crítica ou literária [continua]

domingo, 4 de abril de 2010

Dansa no ABZ do Ziraldo

Resumo do Cenário

O ilustrador Salmo Dansa avisa aos amigos que a TV Brasil exibe, neste domingo 4 de abril, ao meio-dia, sua entrevista no programa ABZ DO ZIRALDO. Reprise na sexta-feira, dia 9 de abril às 13h45.
Imagem de Salmo Danso para o livro Alice através do espelho, em reconto de Letícia Dansa (Autêntica, 2008). Colagem a partir da reprodução fotográfica de um livro-objeto.

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Um livro espera você, busque por ele!

Texto: Eliacer Cansino Macías. Tradução: Peter O’Sagae

Era uma vez
um barquinho pequenino,
que não sabia,
que não podia
navegar.

Passaram uma, duas, três,
quatro, cinco, seis semanas
e o barquinho
e o barquinho
navegou.

Aprende-se a brincar antes de ler. E a cantar também. Os meninos de minha terra costumavam entoar esta canção, ainda que nenhum de nós soubesse ler. Íamos, em coro, juntos pelas ruas, desafiando o vozeio das cigarras do verão, cantando uma, duas, três vezes a impotência do barquinho que não sabia navegar. Às vezes, fazíamos barquinhos de papel, pondo-os nas poças, e os barquinhos afundavam sem conseguir alcançar a costa.

Eu também era um barco pequeno ancorado nas ruas do meu bairro. Passava as tardes no terraço, observando esconder-se o sol pelo poente, e adivinhava distante — não sabia ainda se distante no espaço ou distante do coração — um mundo maravilhoso que se estendia muito além de meus olhos.

Atrás de umas caixas, num armário de casa, havia também um livro bem pequeno que não podia navegar porque ninguém o lia. Quantas vezes, passei perto dele sem notar sua existência. O barco de papel, preso na lama; o livro solitário, oculto na estante atrás das caixas de papelão.

Um dia, minha mão, buscando algo, tocou a lombada do livro. Se eu fosse livro, contaria assim: “Um dia, a mão de um menino me tocou e eu senti que desfraldava minhas velas e começava a navegar.” Que surpresa quando, por fim, meus olhos encontraram aquele objeto! Era um pequeno livro de capas vermelhas e filigranas douradas que abri, cheio de expectativa, como quem encontra um baú e está ansioso para descobrir seu conteúdo. E não era para menos. Bastou começar a ler para saber que a aventura ali se desdobrava: a valentia do herói, os personagens bondosos, os malvados, as ilustrações com frases ao pé da página que eu olhava mais de uma vez, o perigo, as surpresas... Tudo me transportava a um mundo desconhecido e apaixonante.

Foi assim que descobri: além de minha casa, existia um rio e, depois do rio, havia um mar e, no mar, esperando partir, um barco. O primeiro que me levou se chamava La Hispaniola, mas o mesmo teria acontecido se o seu nome fosse Nautilus, Rocinante, ou o navio de Simbad, a barcaça de Huckleberry... Todos eles, por mais que passe o tempo, estarão sempre à espera de um menino — que seus olhos abram suas velas e os façam zarpar.

Então, não espere mais, estique seu braço, pegue um livro, abra-o e leia: descobrirá, como na canção de minha infância, que, por menor que seja, não existe barco que, em pouco tempo, não aprenda a navegar.


domingo, 14 de março de 2010

Alberto, o menino que gostava de ler

PublishNews - 12/03/2010 - por Roney Cytrynowicz

Como incentivar crianças e jovens a ler livros e, mais do que isso, a ter prazer pela leitura? É claro que em uma época na qual os livros vêm sendo encarados cada vez mais com utilitarismo, fica difícil dizer às crianças e aos jovens: leiam por prazer, pelo gosto de imaginar e fantasiar, de viajar por outras idéias, mundos, possibilidades, leiam sem compromisso e largados em cima de um sofá (sem obrigação diante de testes e provas).

Sem sair à procura de uma resposta... vale a pena conhecer uma história acontecida há um século e meio, no interior de Minas Gerais. Nascido em 1873, o menino Alberto gostava muito de ler as histórias de ficção-científica do escritor francês Julio Verne, que seu pai, engenheiro, comprava [continua...]

domingo, 29 de novembro de 2009

Perfil Literário

O programa Perfil Literário, da Rádio Unesp, traz sempre um gostoso bate-papo com personalidades ligadas à literatura. Desta vez, o entrevistador Oscar D'Ambrosio conversou com os ilustradores Cris Eich e Jean-Claude Alphen.
Clique aqui para ouvir a entrevista.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

“Ninguém forma leitor se não for leitor”

PublishNews, 30/09/2009 - Redação

Mestra em Ciência da Literatura pela UFRJ e escritora, a presidente da Associação de Escritores e Ilustradores de Literatura Infantil e Juvenil, Anna Cláudia Ramos, defende a formação de mediadores de leitura como ponto central das políticas públicas do livro e leitura. “O governo deveria investir em cursos de formação continuada para todos os educadores", ela diz. "Sabemos que ninguém forma leitor se não for leitor", emenda Anna Cláudia, para quem nunca se falou tanto nesse tema como agora, no Brasil. Mas ainda falta muito, observa. “Só seremos um País leitor no dia em que o livro for objeto de consumo tanto quanto um tênis ou um celular”, afirma, em entrevista exclusiva à agência de notícias Brasil Que Lê.

sexta-feira, 6 de março de 2009

Ana Maria Machado na Revista da Cultura

Revista da Cultura, 06/03/2009 - por Marcelo Morais Caetano


Leia a entrevista aqui.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Revista Leitura (ALB) solicita artigos

Prezado(a) Professor(a),

Como membro da Diretoria da Associação de Leitura do Brasil - ALB, venho apresentar-me como Coordenadora da Comissão Executiva da Revista Leitura: Teoria & Prática, no período de 2009-2010.
Aproveito para pedir sua colaboração na divulgação deste periódico, visando a captação de artigos para nossas próximas edições.

Atenciosamente,
Gabriela Fiorin Rigotti

Mais informações aqui.


quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Livros politicamente corretos não ajudam na educação de crianças

No final do ano passado, defendi na USP minha tese de doutorado. O assunto central da tese é: Livros politicamente corretos não ajudam na educação de crianças.

Houve um interesse muito grande a respeito do assunto e dei algumas entrevistas a respeito.

Queria compartilhar com vocês esse material. Acredito que quanto mais adultos debaterem tal tema, mais crianças serão beneficiadas.

Revista Sábado - Lisboa (Portugal)

Revista Época on Line

Correio Braziliense

Rede Record



Abraços,
Ilan Brenman
www.ilan.com.br

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Reforma ortográfica

Janeiro de 2009 está aí. Com ele, a presença oficial em nossos dicionários do K, W, Y, cinquenta, voo e ideia. É a oficialização daquelas letras estrangeiras que já estão mais que presentes. É o fim do trema. E o pior, é o fim dos pobres acentos de ditongos abertos éi e ói em paroxítonas. Só uma coisa não muda: a regra do hífen continua gerando confusões.

Quem não foi obrigado a correr no último semestre atrás da Reforma Ortográfica (i.e., quem não é editor ou revisor de livros didáticos que concorrem ao PNLD) encontra hoje resumos e dicas já bastante mastigados por especialistas.

No programa Sempre Um Papo, da TV Câmara, os especialistas Dad Squarisi e Márcio Cotrim, colunistas do jornal "Estado de Minas" e "Correio Braziliense", nos explicam as principais mudanças em alguns minutos:





Se o seu objetivo for uma consulta objetiva, está disponível na biblioteca do Uol um resumo do Guia Prático da Nova Ortografia, de Douglas Tufano, da editora Melhoramentos.


Porém, chega aquela hora em que não podemos mais fugir. Então dá-lhe uma pesquisa pouco mais aprofundada no Guia do Acordo Ortográfico, desenvolvido e disponibilizado pela Editora Moderna.
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quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Está no ar o Vice-versa!

Caros amigos,
A AEI-LIJ de São Paulo lançou a idéia, nós gostamos e copiamos com a licença da Regina Sormani e entramos no ar com o Vice-versa, série de entrevistas em que um escritor de LIJ entrevista outro escritor ou ilustrador de LIJ e vice-e-versa. Aqui no Sul nós até criamos uma logomarca para o bate-bola de perguntas e respostas (que pode ser usada por todos os outros Estados). Visitem o blogue da AEILIJ-RS e saibam mais peculiaridades sobre nossos autores associados Caio Riter e Gláucia de Souza que inauguram o Vice-versa de setembro.

Abraços

Hermes Bernardi Jr.
Escritor de LIJ
Coordenador Regional AEILIJ