Incansavelmente nos reunimos em um seminário com o propósito quase único de acompanhar a exposição de um tema com diferentes personalidades e especialistas sobre um assunto de nosso interesse, aguardando o momento de debate para endereçarmos questões ansiosas à mesa dos conferencistas. Existe aí uma lógica do fala-que-eu-o-escuto, seguida pelo imperativo responda-agora-o-que-pergunto. Tal protocolo é raramente violado, sob o risco de desaprovação da platéia. Mas, o diretor do Instituto C&A, Paulo Castro, soube com propriedade adentrar um silêncio mais produtivo ao esquivar-se das perguntas enviadas ao final da conferência de Nelly Novaes Coelho, na última tarde do Seminário Prazer em Ler de Promoção da Leitura Literária. Ao afirmar que o intuito do encontro não era fornecer as respostas, mas motivar a reflexão de todos para a busca de novas soluções, Paulo Castro fez sua palavra transformar-se em uma breve ação que, por bem, legitima pedagogicamente o sentido de seminário como um canteiro onde idéias são semeadas.
O conjunto de exposições manteve um nível de excelência poucas vezes alcançado por eventos de grande porte, dada uma variedade de vozes e idiossincrasias de seus conferencistas e palestrantes. O Seminário Prazer em Ler mostrou-se articulado com cuidadosa coerência e não foram raros os momentos em que uma idéia passava a ressoar de um discurso a outro, como a necessidade de resgate da formação humanística e da experiência particular de todos nós enquanto leitores, uma dupla militância contra a rarefação estética do texto literário e a banalização do incentivo à leitura, compreendendo que, além do estímulo, sempre de caráter circunstancial, o ato de leitura É uma escolha deliberada. E temos que concordar barthesianamente que por trás (ou intimamente) da motivação social para despertar “o gosto”, a leitura é um esforço pessoal e o prazer que ela desperta, intransferível.A cidade de São Paulo, que há tempos vivia a carência de um encontro de natureza afim, recebeu com entusiasmo e elogios a organização do evento, dos materiais distribuídos à recepção no Centro de Convenções da Câmara Americana de Comércio/Amcham, a contribuição de especialistas estrangeiros (Argentina, Colômbia e Espanha) ao lado de intelectuais, autores e personalidades da literatura infantil e juvenil brasileira... E, claro, a visita de profissionais da cadeia produtiva do livro, educadores e agentes da leitura de diferentes pontos do país. Sob esse clima de festa e compromisso, ficaria difícil eleger os destaques do Seminário Prazer em Ler, no entanto, não escondo a admiração, quiçá muito particular, provocada pela clareza e os olhos de náiade de Tereza Colomer, a polidez e os argumentos de Xosé Antonio Neira Cruz, a polêmica bem estirada de Luiz Percival Leme Britto, a indefectível consistência e as surpresas que Marisa Lajolo sempre tem a nos revelar e as tramas fronteiriças de poesia e profecia de Nilma Lacerda.
Nas postagens abaixo, o registro dos três dias do Seminário Prazer em Ler de Promoção da Leitura Literária como um diário de imagens.
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Presidente da mesa: Alais Ávila, assessora de educação do Instituto C&A. “Em matéria de leitura, o encontro entre leitor e texto é que deve ser respeitado. Um momento íntimo e privilegiado.”, afirmou Ana Maria. “Se as políticas de leitura se preocuparem em garantir um acervo de qualidade, e um tempo e um espaço na escola para que esse encontro possa acontecer, já estarão cumprindo sua missão.” Foto: Instituo C&A. Leia 

Conferência 5 – O Tripé Infância-Literatura-Leitura: Marcos de sua Estruturação na Argentina, com Cecilia Bettolli, representante do 
A ilustradora Cris Eich coordenou as apresentações de Angela Lago – O Prazer do Livro para o Leitor Iniciante – e Graça Lima – A Leitura Imagética – que abordaram a expressividade da ilustração junto ao texto literário, a construção da leitura e do repertório a partir da linguagem visual.
Ísis Valéria Gomes (FNLIJ), entre o autor e presidente do Instituto Indígena Brasileiro para Propriedade Intelectual – Inbrapi, Daniel Munduruku, e Luiz Percival Leme Britto, professor da Universidade de Sorocaba. Apesar de filósofo e mestre em educação, Munduruku despista a teorização sobre a literatura indígena para evocar a memória ancestral e a vivência plena dos instantes do presente.
A voz tranqüila Ana Dourado (Instituto C&A, Brasília) alinhavou os diferentes aspectos da literatura infantil brasileira, na terceira mesa de debates com Regina Zilberman (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) – O Ensino Médio e a Formação do Leitor (
O escritor Luiz Raul Machado coordenou a mesa de prosas poéticas com a presença Bartolomeu Campos de Queirós – Por que Escrevo: Reflexões sobre a Leitura do Texto Literário e Educação – e Marina Colasanti – Espaços da Prática Criativa, do Livro e da Literatura.
Sempre sorrisos, Elenita Neli Beber, da Secretaria Municipal de Educação de São Paulo, apresentou as palestras de Nilma Lacerda – Leitura: Uma Escolha de Caminhos - e Ricardo Azevedo – Problemas do Uso de Textos de Ficção e Poesia na Escola.

























